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sábado, 28 de julho de 2012

Alunos da UFRGS dão início a projeto de proteção de baleias francas no Litoral Norte

Marcus Farah

Animal foi flagrado pelo grupo na tarde de quarta-feira, em Tramandaí 
Foto: Divulgação / Projeto Baleias do Rio Grande do Sul

O número crescente de flagrantes de baleias francas no litoral norte gaúcho, entre junho e novembro, chamou a atenção de alunos do curso de biologia marinha, da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS), nos últimos anos. Com o intuito de proteger esses animais no período de reprodução e amamentação da espécie, surgiu o Projeto Baleias do Rio Grande do Sul.

Como não havia no RS estudos semelhantes, o grupo decidiu monitorar as visitas dos cetáceos às águas do Litoral Norte. Ainda recente, o trabalho busca financiadores para custear recursos à equipe.

— Usamos as plataformas de pesca como ponto de observação e estamos colhendo dados dessas avistagens. Pedimos às pessoas que nos encaminhem flagrantes dos animais nas praias — explica o estudante Thiago Nóbrega Lisbôa.

Em 2012, em um mês de monitoramento da costa, o grupo já registrou ao menos 30 amostragens de baleias. Um dos pontos principais do estudo é identificar comportamentos desses animais, que na década de 70 foram considerados extintos no Brasil devido à caça predatória.

— Estamos bem animados com os primeiros resultados, são bem promissores. A partir disso queremos incentivar o turismo e, consequentemente, a preservação da espécie — observa Lisbôa.

Conscientização das comunidades
Além dos seis observadores, o projeto conta com a liderança do vice-presidente do Instituto Augusto Carneiro, José Truda Palazzo Júnior, e da bióloga Audrey Amorim. Palazzo foi um dos responsáveis pelo "redescobrimento" das baleias francas no litoral brasileiro, na década de 80. Ele salienta a necessidade de conscientizar as comunidades costeiras da importância dessa época do ano para o ciclo de vida das baleias:

— Em um primeiro momento estamos juntando gente e dando dicas aos estudantes na parte de educação e divulgação. Antes as pessoas ficavam com medo ao avistar os animais, mas isso mudou muito de uns anos para cá.

O objetivo agora é mapear as áreas de maior probabilidade de avistagem dos cetáceos e definir meios de proteger as mães e filhotes que migram do Polo Sul. A poluição no mar é uma das maiores preocupações dos pesquisadores. Apesar de preferirem o litoral catarinense, por possuir enseadas e baías mais protegidas, as baleias francas têm permanecido em águas gaúchas por mais tempo do que antigamente.

— Temos identificado grupos que se atrasam no processo de migração e acabam ficando pelo Rio Grande do Sul. E isso vira um atrativo. Por que ir a Santa Catarina para ver as baleias se elas podem ser vistas aqui? — ressalta Palazzo.

Estima-se que, atualmente, o litoral brasileiro tenha apenas cerca de 800 baleias desta espécie, o que representa entre 5% e 10% da população mundial que habita o hemisfério sul. Ainda assim, longe da população total que já habitou a Terra, em torno de 100 mil animais.

Notícia retirada do site Zero Hora.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Que tal saborear um café e em seguida comer a xícara?

Texto de Daniel Accioly, retirado de greenvana.com

Cookie Cup Lavazza; Foto: Divulgação


Que tal saborear um café e depois comer a xícara? O Estúdio de design Sardi Innovation pensou no conceito e criou o Cup Coockie . O projeto foi concebido sem deixar nenhum detalhe de lado.

A massa possui a consistência de um biscoito. O Cup Cookie é forrado por dentro com açúcar de confeiteiro especial que funciona como um isolante à prova d’água e adoça a bebida ao mesmo tempo. Além de ser uma solução saborosa e divertida, evita o uso de copinhos descartáveis, que em sua maioria são confeccionados em plástico ou outros materiais de difícil absorção pela natureza.

O projeto está recebendo elogios e prêmios nas áreas de estratégia, ecologia, negócios, marketing e design. O Cup Cookie foi encomendado pela cafeteria italiana Lavazza, que conta com diversas filiais pelo mundo, inclusive no Brasil. Saborear um café ficou ainda mais delicioso. E sustentável.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Novo presidente do Ibama quer excelência em política ambiental


Comentários sublinhados por João Paulo Monteiro

Pouco mais de um mês depois de tomar posse como presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Volney Zanardi deixa clara sua missão de ampliar as atribuições do órgão e transformá-lo em um "depositório de dados ambientais".

Foto da Internet
"O Ibama começa a se posicionar em um novo patamar. Vamos fazer medição de acesso de recursos ambientais e produzir dados, informações e elementos para qualificar as políticas brasileiras", disse ele.

O engenheiro químico, que deixou a direção do Departamento de Gestão Estratégica do Ministério do Meio Ambiente para conduzir o órgão ambiental, explicou que a proposta é "organizar a casa".

Não quero ser cético com o comentário, mas para tomar todas essas decisões o novo presidente tem que enfrentar muitos interesses, muitas vezes maiores que ele. Todos sabemos que o IBAMA é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e que deve, de alguma forma, satisfação à Presidência. Eleições à vista e matéria ambiental nos jornais é propaganda barata e fácil.

A arrumação tem dois objetivos claros: garantir mais agilidade aos processos de licenciamento e autorizações e criar uma estrutura capaz de subsidiar as políticas e estratégias do governo para o setor.

Segundo ele, o país enfrenta uma mudança de paradigmas em relação à gestão ambiental.
Zanardi refere-se tanto à leis já aprovadas (como a Lei Complementar 140/2011, que estende as atribuições sobre licenciamento e proteção ambiental aos estados e municípios) quanto ao novo Código Florestal, cuja medida provisória publicada pelo governo federal em maio está sob a análise do Congresso Nacional.

"Continuaremos com uma série de competências. Mas, vamos além da fiscalização", disse ele.

Ao mencionar o CAR (Cadastro Ambiental Rural) que servirá como um instrumento para monitorar a situação de áreas de preservação permanente (APPs) em propriedades rurais do país, Zanardi explicou que o Ibama vai organizar informações sobre os processos de autorizações legais de desmatamento e criar uma base de dados que contribua com o projeto defendido pelo governo de tornar a questão florestal um ativo.

O presidente do Ibama ainda acrescentou que a proposta é fazer com que a contabilidade referente a informações gerais das florestas brasileiras supere as estatísticas que revelam o quanto aumentou ou diminuiu o desmatamento no país.

Cabe aqui dizer que o que se espera dessa nova atuação é no mínimo o respeito pelo brasileiro, é não querer ludibriar o direito que todos têm à informação, de todo verdadeira. Não seria a primeira vez que o Governo Federal manipularia informações a seu favor.

"Vamos criar dados que mostram o valor real de uma floresta em pé, desde o aproveitamento da biodiversidade até o aumento de concessões florestais", disse ele.

Para organizar o Ibama, Zanardi conta com um orçamento quase duas vezes maior do que o destinado aos investimentos em tecnologia da informação em 2011.

Este ano, o Ibama dispõe de mais de R$ 37 milhões para instalar redes, padronizar procedimentos e alimentar base de dados, por exemplo.

A expansão do Instituto para o interior do país, onde realmente é necessária sua presença, é eficaz a partir do momento em que há efetiva fiscalização. São 37 milhões de reais. O objetivo desse dinheiro é investimento, e não o pagamento de diárias e coquetéis. É dar a César, o que é de César! Se é para a "reforma" do IBAMA, que seja para a reforma e reestruturação. O quadro de pessoal do órgão é escasso e depende de especialistas realmente competentes.

"Para ter o Ibama ágil e moderno como queremos, isso esbarra em procedimentos administrativos claros e informatização. Nosso objetivo é fazer com que o Ibama seja um órgão de excelência para implementar a política federal de meio ambiente e referência para os outros órgãos ambientais", disse ele.

Além dos investimentos para criação de sistemas e padronização de procedimentos, Zanardi reconhece ainda que é preciso capacitar servidores e criar melhores condições para a categoria.

Como já dito anteriormente.

Os agentes ambientais estão mobilizados há mais de um mês, reivindicando melhorias salariais e reestruturação da carreira.

"A carreira dos nossos servidores é um problema hoje. Para o nível de complexidade do trabalho, o nível de recrutamento é muito inicial", explicou.

Segundo ele, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) está conduzindo as discussões e negociações sobre a carreira dos agentes ambientais.

Seria interessante a transformação do IBAMA numa autarquia federal. Assim, esse não seria subordinado ao MMA e poderia exercer suas funções com mais liberdade. A vinculação ao ministério acaba no dever do Instituto em prestar contas e algumas vezes depender de autorização para tomada de decisão, o que acaba atrasando ações importantes de contingência e a aplicação de punições aos que já foram de encontro à legislação ou aos que por ventura vierem a ser.

Folha.com.br 

domingo, 22 de julho de 2012

Norte-americanos passam a acreditar mais nas mudanças climáticas

Marcus Farah

 Não há como negar que o aquecimento global existe e que o clima está mudando! As pessoas estão cada vez mais, aceitando essa realidade. Abaixo segue uma notícia retirada do site EcoAgência, falando exatamente sobre isso!

Porcentagem daqueles que não acreditam nas mudanças climáticas atuais caiu de 22% em março para 15%, segundo pesquisa que será publicada no site do Instituto de Energia da Universidade do Texas.

Em tempos de secas, incêndios e temperaturas recorde, uma nova pesquisa de opinião feita pela Universidade do Texas concluiu que atualmente 70% dos norte-americanos acreditam que o clima está mudando, reportou a Bloomberg. Em março, a mesma pesquisa chegou ao total de 65%.

A porcentagem daqueles que não acreditam nas mudanças climáticas atuais caiu de 22% em março para 15% na pesquisa realizada entre 12 e 16 de julho, que será publicada no site do Instituto de Energia da Universidade do Texas.

Em outra pesquisa, do jornal The Washington Post e da Universidade de Stanford, 60% dos questionados afirmaram que os padrões meteorológicos têm se mostrado mais instáveis. Eles também acreditam que o aquecimento futuro do planeta é algo que pode ser mitigado, portanto, a maioria (dois terços) quer que o governo lidere no cenário global de combate às mudanças do clima.

Na semana passada, uma coletânea de estudos organizada pelo Met Office e pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) afirmou que algumas das ondas de calor e secas de 2011 foram até 60 vezes mais prováveis de acontecer graças ao aquecimento global e às ações humanas no clima.

A coletânea analisa, por exemplo, a seca no estado norte-americano do Texas, concluindo que mudanças instigadas pela queima de combustíveis fósseis tornaram a onda de calor vinte vezes mais provável.

Os últimos doze meses foram os mais quentes já registrados para os Estados Unidos como um todo, segundo a NOAA.

Geração X

Uma série de pesquisas da Universidade de Michigan, publicadas neste mês na sua revista trimestral, vem desde 2008 questionando a Geração X (adultos entre 32 e 52 anos) sobre alguns assuntos e analisando com metodologias amplas os resultados. Entre eles está o seu interesse sobre questões ligadas às mudanças do clima, sendo que na primeira pesquisa 28% disseram estar muito interessados e 55% estavam moderadamente interessados.

"O interesse da população em qualquer assunto específico sempre tem relação com as outras questões que competem pela sua atenção ao mesmo tempo... A crise econômica de 2008 fez com que muitos adultos se focassem em questões econômicas", justificam os autores, que também citam a fadiga. "Muitos adultos tem um grau de atenção limitado para questões de políticas públicas e tendem a se cansar dos mesmos assuntos se eles persistem ao longo de vários anos."

Tanto em 2009 quanto em 2011 um pouco mais de 20% da Geração X mostrou um alto nível de preocupação quanto às mudanças climáticas. Cerca de 40% expressaram temores moderados e um pouco menos de 40% disseram ter baixos níveis de preocupação com a questão. Apenas 16% em 2009 e 11% em 2011 se sentiam bem informados.

Juntando as diversas respostas, os pesquisadores classificaram os adultos em seis públicos: alarmados; preocupados; cautelosos, desengajados; que têm dúvidas; e desdenhosos (figura). Surpreendentemente, os desengajados são 41% da Geração X norte-americana.

"Poucas problemáticas engajam uma maioria sólida dos adultos em nossa sociedade ocupada e plural, mas a questão das mudanças climáticas parece atrair menos ativistas comprometidos (em ambos os lados) do que esperávamos", concluem os autores.

Os resultados também indicam que jovens com maior nível de educação têm maior probabilidade de reconhecer a importância do problema e que existe ampla conscientização sobre as mudanças do clima, mas que muitos preferem focar em coisas mais imediatas, como emprego e estudo para seus filhos, a se concentrar nas necessidades da próxima geração.


"Estes resultados não são confortantes para aqueles que, como nós, se preocupam com a saúde da democracia americana no século 21", enfatizaram os autores.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Nordeste terá 1ª indústria do Brasil de combustível feito com algas

Marcus Farah

Usina em Pernambuco vai produzir e vender biodiesel e bioetanol de algas.
Projeto tem investimento de R$ 19 milhões e reduz emissão de CO2

O estado de Pernambuco, no Nordeste, deve receber a partir do último trimestre de 2013 a primeira planta industrial de biocombustível produzido com algas marinhas, que promete contribuir na redução do envio de CO2 à atmosfera.

O projeto, uma parceria entre o grupo brasileiro JB, produtor de etanol no Nordeste, e a empresa See Algae Technology (SAT), da Áustria, contará com investimento de 8 milhões de euros (R$ 19,8 milhões) para montar em Vitória de Santo Antão – a 53 km de Recife - uma fazenda vertical de algas geneticamente modificadas e que vão crescer com a ajuda do sol e de emissões de dióxido de carbono (CO2).

Segunda a empresa, é a primeira vez no mundo que este tipo de combustível será fabricado e comercializado. Atualmente, a tecnologia só é desenvolvida para fins científicos. Laboratórios dos Estados Unidos e até mesmo do Brasil já pesquisam a respeito.

No caso da usina pernambucana, o biocombustível será produzido com a ajuda do carbono proveniente da produção de etanol, evitando que o gás poluente seja liberado na atmosfera e reduzindo os efeitos da mudança climática.

De acordo com Rafael Bianchini, diretor da SAT no Brasil, a unidade terá capacidade de produzir 1,2 milhão de litros de biodiesel ou 2,2, milhões de litros de etanol ao ano a partir de um hectare de algas plantadas.

O produto resultante poderá substituir, por exemplo, o biodiesel de soja, dendê, palma ou outros itens que podem ser utilizados na indústria alimentícia aplicado no diesel -- atualmente 5% do combustível é biodiesel.
“É uma reciclagem [do CO2 emitido] e transformação em combustível. Um hectare de algas consome 5 mil toneladas de dióxido de carbono ao ano. O CO2, que é o vilão do clima, passa a ser matéria-prima valorizada”, explica Bianchini.



O sistema de iluminação da fazenda de alga concentra a luz do sol e a transmite por fibras óticas até reatores fechados, onde as algas realizam a fotossíntese (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

 
Mas como funciona?

Em vez de criações de algas expostas, a SAT planeja instalar módulos fechados com até cinco metros de altura que vão receber por meio de fibra óptica a luz do sol (capturada por placas solares instaladas no teto da usina). Além disso, há a injeção de CO2 resultante do processo de fabricação do etanol de cana.
De acordo com Carlos Beltrão, diretor-presidente do grupo JB, a previsão é que projeto comece a funcionar a partir de 2014 e seja replicado para outra unidade, instalada em Linhares, no Espírito Santo. “Hoje nossa missão é tentar trabalhar e chegar ao carbono zero. Nós produzimos CO2 suficiente para multiplicar esse investimento em dez vezes”, disse Beltrão.

O biocombustível de algas ainda precisa ser aprovado e validado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Bioquímicos de algas geneticamente modificadas ajudam a reduzir as emissões de carbono para a atmosfera (Foto: Divulgação/See Algae Technology)

Bioquímicos

Além dos combustíveis, outros produtos resultantes do processamento de algas marinhas geneticamente modificadas são os bioquímicos como o ácido graxo ômega 3, utilizados pela indústria alimentícia e de cosméticos

O ômega 3, que contribui para reduzir os níveis de colesterol no corpo humano e combate inflamações, é normalmente encontrado em óleos vegetais ou em peixes.

Com a extração desse ácido das algas processadas e comercialização com empresas brasileiras, Bianchini espera contribuir com a redução da pesca de espécies marinhas que já sofrem com o impacto das atividades predatórias. “Seria uma alternativa para reduzir a sobrepesca e também para não haver mais dependência somente do peixe”, disse.


 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Falar de flor


Texto de Marina Silva, ex-Ministra do Meio Ambiente

"Uma flor nasceu na rua!/Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego./Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto./Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu."

Marina Silva (Foto: internet)
Após o paralisante "nada a declarar" de líderes mundiais na Rio+20, é preciso muita poesia para manter a persistência que --como diz o apóstolo-- produz a esperança. E então a acidez singela da poesia de Drummond veio em socorro de minha fome poética. O genial poeta itabirano celebra o nascimento de uma flor na fresta do asfalto, superando a indiferença humana e o pesado invólucro da civilização.

Assim me sinto ao lembrar os intensos dias em que organizações civis e milhares de pessoas manifestaram, no Rio, sua indignada exigência de atenção perante os dirigentes de Estado reunidos na conferência da ONU. Gente de todos os continentes, de jovens ativistas de grandes cidades a líderes de pequenas comunidades indígenas, dando demonstrações criativas, como a "Marcha a Ré" que parou o Rio, de que o mundo quer viver.

Infelizmente, a conferência oficial não ouviu isso. E o poema de Drummond me revela sua dimensão profética, que, feitas as contas, pode ser válida até a Rio+40 se predominar a desdita ambiental das necessidades presentes: "Depois de quarenta anos,/e nenhum problema resolvido, sequer colocado./Nenhuma carta escrita nem recebida./Todos os homens voltam pra casa".

Mas o desafio dos que voltam para casa, décadas após décadas de "Rio+" que se somam sem subtrair os problemas, é extrair a "esperança mínima" de que fala o poeta, para não cair no vazio da queixa que paralisa até os jovens, cuja natureza é andar: Andar à frente,/andar ao lado,/de marcha a ré e atravessado,/enveredando pelo futuro,/no chão dos rastros deixados.
Desde a retomada da democracia vemos o florescimento de movimentos sociais antes abafados pelo autoritarismo, com um ideário amplo que antecipava o novo milênio. Essa é a flor que agora irrompe no asfalto. Sua delicadeza denuncia as rachaduras do sistema que já não consegue impedi-la de brotar.


Chegou a hora de a sociedade tomar iniciativas próprias, buscar autonomia e independência. Sem recusar nem desconhecer a política e o Estado, ir além deles e fazer mudanças na vida com a noção ampla de um novo contrato natural --pois inclui os demais seres vivos e ecossistemas--, não só um contrato social. Conseguiremos? Estamos maduros para o que o tempo nos exige?

Aqui se revela a necessidade da utopia, que ultrapassa as ilusões limitantes do pragmatismo e reafirma a força da esperança, sem a qual não há futuro. No fim das contas --Drummond sabia--, é a poesia que faz brotar a flor.

folha.uol.com.br/colunas/marinasilva

Rio + 20 = 0

O texto é de Guilherme Fiuza, depois que li tornei-me fã desse cara!



Guilherme Fiuza

Às vésperas da conferência Rio-92, 20 anos atrás, o secretário-geral da Cúpula da Terra, Maurice Strong, sentenciou: “Esta é a nossa última chance de salvar o planeta.” Agora, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, avisa que a Rio + 20 é a “única oportunidade” de garantir um futuro sustentável. Do jeito que as coisas vão, a Rio + 40 será a última oportunidade de salvar o mundo dos ecoburocratas, que estão cada vez mais contagiosos e letais.

Os negociadores dos mais de 130 países representados na conferência estão preocupados. Vários deles já disseram que a grande questão a ser decidida na Rio + 20 é quem vai financiar o desenvolvimento sustentável, com quanto dinheiro. E que não há acordo à vista sobre isso. Talvez seja necessário responder a outra questão antes dessa: quem vai nos salvar dessas festas ecológicas milionárias que não decidem nada? Quem vai dar um basta nesses banquetes insustentáveis que discutem sustentabilidade?

Ninguém segura a patrulha da bondade e seu alegre circo do apocalipse. No picadeiro da salvação sempre cabe mais um. É aquela oportunidade valiosa para os ativistas de si mesmos descolarem mais um flash por um mundo melhor. O oportunismo é verde. Cientistas políticos gritam que o tempo está se esgotando, artistas buscam sofregamente algum bordão conceitual, mesmo que se atrapalhem um pouquinho – como na célebre frase de uma cantora de MPB em momento ético: “O problema do Brasil é a falta de impunidade”.

Enquanto a feira de lugares-comuns e o show de auto-ajuda planetária evoluem na avenida, o mundo piora. A crise nascida na Europa veio mostrar que a farra estatal é boa, mas um dia a conta chega. Com a licença dos ecologistas: pode ser a última chance de se descobrir que não é o Estado que sustenta a sociedade, mas o contrário. E que não existe Estado forte com sociedade fraca. Pois é nesse momento de alerta contra os governos perdulários que se monta o colossal almoço grátis da Rio + 20. Um banquete para discutir o desperdício. Haja sustentabilidade.

O que quer a faminta burocracia verde, com seus sábios fashion de bolinha vermelha na testa e seus relatórios sobre o fim do mundo? Quer a Bolsa Ecologia. Quer mais dinheiro do contribuinte para mais relatórios, mais comissões, mais mesadas para ONGs, mais conferências coloridas e animadas. Enquanto isso, a vida real vai muito bem, obrigado, para monstros como a usina hidrelétrica de Belo Monte – uma estupidez ecológica, uma aberração econômica e um monumento ao desperdício estatal. O custo cada vez mais insustentável da energia nuclear também não é problema para os abastados anfitriões da Rio + 20, como indica a construção de Angra 3 – cujo lixo radioativo tem garantia até a Rio + 2020. Passaporte para o futuro é isso aí.

Duas décadas de sustentabilidade conceitual não chatearam os vilões reais. Na Rio-92 foram assinadas as Convenções de Biodiversidade e do Clima. A primeira instituiu o direito das populações tradicionais sobre o patrimônio genético de suas terras. Enquanto a biotecnologia progride, os povos da maior floresta tropical da Terra continuam a ver navios no Rio Amazonas. Os royalties que conhecem de fato são os do contrabando de madeira – porque infelizmente não podem se alimentar de convenções. Já a Convenção do Clima gerou o que se sabe: uma sucessão de protocolos sobre redução das emissões de gás carbônico. Cada um é mais severo que o anterior, devidamente descumprido. Com novos prazos de carência, as metas vão ficando mais ambiciosas, numa espécie de pacto com o nunca.

E aí está a patrulha da bondade em mais uma conferência planetária, reunindo os melhores especialistas internacionais em sustentabilidade e sexo dos anjos. Eles vão dizer que o mundo vai acabar e a culpa é sua. Vão mandar você deixar seu carro na garagem e tomar banho rápido. Não vão falar em controle populacional, porque isso é de direita. Eles são progressistas, sociais, amam cada um dos 7 bilhões de habitantes da Terra, que serão 10 bilhões até o fim deste século, todos muito bem-vindos.

O problema, claro, é do capitalismo individualista, cheio de egoístas que demoram no banho. Serão precisos muitos banquetes ecológicos para mudar essa mentalidade.

ÉPOCA – edição 735

terça-feira, 26 de junho de 2012

Volta das sacolas plásticas aos supermercados

Marcus Farah

A alegria do meio ambiente durou pouco! A justiça determinou a volta das sacolas plásticas aos supermercados de São Paulo, dizendo que os consumidores estão sendo prejudicados, como mostra a notícia a seguir:

Justiça determina volta das sacolas plásticas aos supermercados paulistas

Ministério Público alega que a proibição das embalagens estava onerando indevidamente os consumidores

Justiça determina volta das sacolas plásticas aos supermercados paulistas Daniela Xu/Agencia RBS
Supermercados paulistas terão de fornecer gratuitamente as sacolas de plástico 
Foto: Daniela Xu / Agencia RBS
Banidas desde o início do ano sob a alegação de poluir o ambiente, as sacolas plásticas estarão de volta aos supermercados de São Paulo. A juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital paulista, determinou na segunda-feira que os estabelecimentos comerciais restabeleçam gratuitamente, no prazo de 48 horas, a distribuição das embalagens usadas pelos consumidores para transportar suas compras.

Também foi dado um prazo de 30 dias para que os supermercados forneçam, igualmente de forma gratuita e em quantidade suficiente, embalagens em material biodegradável ou de papel para acondicionamento das compras.

A decisão atende a uma ação civil pública impetrada pela Associação SOS Consumidor Consciente contra a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e as redes Sonda, Walmart, Carrefour e Companhia Brasileira de Distribuição.Também acolhe entendimento do Ministério Público paulista de que o consumidor foi onerado com a suspensão da distribuição das sacolinhas. Com o fim das sacolas plásticas, os supermercados passaram a cobrar até R$ 0,59 por embalagens retornáveis. A Apas anunciou que vai recorrer da sentença.

Juíza pôs em dúvida a alegação de proteção ambiental com o fim das sacolas

 
"A solução adotada pelos supermercados com o propósito declarado de atender a preocupação ambiental acabou por onerar excessivamente o consumidor, a quem se impôs com exclusividade todo o desconforto produzido", diz a juíza na sentença.

Na decisão, a juíza criticou o fato de os supermercados não terem diminuído o preço dos produtos, retirando o custo do fornecimento gratuito da embalagem, mesmo sem a obrigação de fornecer as sacolinhas. A juíza também pôs em dúvida o compromisso ambiental alegado pelos supermercados, que continuaram a utilizar embalagens de plástico para outras finalidades.

Na segunda-feira, a Apas chegou a apresentar ao Ministério Público e ao Procon paulistas propostas para compensar o fim das sacolas plásticas. Uma delas era oferecer ao consumidor três tipos de sacolas reutilizáveis — de papel, de um material biocompostável, fabricadas com amido e biodegradáveis, e as recicladas, fabricadas com sobras de plástico em indústria. Essas sacolas custariam entre R$ 0,07 ou R$ 0,25, em uma previsão inicial feita pela Apas.

Mais de 1,1 bilhão de sacolas deixaram de ser distribuídas, dizem supermercados 

Segundo o presidente da Apas, João Galassi, 90% das compras são feitas nos supermercados paulistas com as sacolas reutilizáveis. Galassi disse que a entidade pretende fazer campanhas para conscientizar o consumidor, desestimulando o uso de sacolas plásticas. Conforme a associação, desde abril deixaram de ser distribuídos 1,1 bilhão de sacolas plásticas nos supermercados de São Paulo. Galassi disse ainda que a cobrança pelas sacolas tem um efeito educativo.

— Quando os preços das sacolas estão embutidos (no valor da mercadoria), tem-se a percepção de que não se paga por elas e isso vira um grande desperdício no uso dessas sacolas. Quando se tem os preços explícitos, as pessoas percebem que as sacolas têm um custo e há redução drástica no consumo — explicou.

O presidente da Apas garante que a economia de custos com o não fornecimento das sacolas é repassada ao consumidor.

— O setor é muito competitivo. É do interesse do supermercadista reduzir custos para competir, ganhar a confiança e ter mais consumidores — justificou.

Notícia retirada do site: Zero Hora

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Fracasso sustentável chamado Rio + 20

Os 188 países participantes da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável adotaram oficialmente o documento intitulado "O futuro que queremos", nesta sexta-feira (22).

Primeira página do texto final publicado pela ONU,
com numeração e código de barras. (Foto: Reprodução)
O propósito da Rio+20 era formular um plano para que a humanidade se desenvolvesse de modo a garantir vida digna a todas as pessoas, administrando os recursos naturais para que as gerações futuras não fossem prejudicadas.

Uma das expectativas era de que a reunião conseguisse determinar metas de desenvolvimento sustentável em diferentes áreas, mas isso não foi atingido. O documento apenas cita que eles devem ser criados para adoção a partir de 2015.

O texto final da Rio+20, intitulado "O futuro que queremos", foi publicado no site oficial da conferência (leia o documento, traduzido para os idiomas oficiais da ONU: inglês, espanhol, árabe, russo, francês e chinês).
Na plenária de encerramento, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que "o documento final que foi adotado por consenso fornece formação firme para um bem-estar social, econômico e ambiental. Agora é nossa responsabilidade desenvolver isso". "Não podemos mais hipotecar o nosso futuro para as necessidades de curto prazo", alertou.

"O documento torna-se, hoje, um marco no conjunto dos resultados das conferências das Nações Unidas ligadas ao desenvolvimento sustentável", discursou a presidente Dilma Rousseff aos delegados. "Um passo histórico foi dado em direção a um mundo mais justo, equânimo e próspero".

A presidente ainda afirmou que o país se orgulha de ter organizado e presidido "a mais participativa e democrática conferência, na qual tiveram espaço diversas visões e propostas, buscando sempre manter um equilibrio respeitoso".

Trecho criticado por ONGs é mantido 
Em relação ao rascunho aprovado pelos diplomatas no início da semana, o documento adotado em definitivo pelos líderes, nesta sexta-feira (22), teve apenas mudanças de formatação, não de conteúdo. Foi mantido, inclusive, o trecho "com total participação da sociedade civil", que ONGs haviam pedido para ser retirado porque consideram que foram excluídas do processo de construção do documento.

O documento prevê, entre outras medidas, a criação de um fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável dentro das Nações Unidas, além de reafirmar um dos Princípios do Rio, criado em 1992, sobre as “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”.

Este princípio significa que os países ricos devem investir mais no desenvolvimento sustentável por terem degradado mais o meio ambiente durante séculos.

Outra medida aprovada é o fortalecimento do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma) e o estabelecimento de um mecanismo jurídico dentro da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos, na sigla em inglês) que estabelece regras para conservação e uso sustentável dos oceanos.

PobrezaO texto estabelece a erradicação da pobreza como o maior desafio global do planeta e recomenda que “o Sistema da ONU, em cooperação com doadores relevantes e organizações internacionais”, facilite a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento.

Esse sistema atuaria para facilitar o encontro entre países interessados e potenciais parceiros, ceder ferramentas para a aplicação de políticas de desenvolvimento sustentável, fornecer bons exemplos de políticas nessas áreas e informar sobre metodologias para avaliar essas políticas. 

Por atender restrições de países com visões muito diferentes, o texto da Rio+20 tem sido criticado por avançar pouco: não especifica quais são os objetivos de desenvolvimento sustentável que o mundo deve perseguir, nem quanto deve ser investido para alcançá-los, e muito menos quem coloca a mão no bolso para financiar ações de sustentabilidade. O que o documento propõe são planos para que esses objetivos sejam definidos num futuro próximo (veja abaixo um quadro com o que foi negociado).

CríticasO texto da Rio+20 recebeu críticas das próprias delegações que participaram da conferência e de organizações não-governamentais. Os negociadores da União Europeia classificaram a redação de “pouco ambiciosa” e disseram que faltam “ações concretas” de implementação das ações voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Por sua vez, antes mesmo da ratificação pelos chefes de Estado, integrantes da sociedade civil assinaram uma carta endereçada aos governantes intitulada “A Rio+20 que não queremos”, na qual classificam o texto da conferência de “fraco”.

“O documento intitulado 'O futuro que queremos' é fraco e está muito aquém do espírito e dos avanços conquistados nestes últimos 20 anos, desde a Rio 92. Está muito aquém, ainda, da importância e da urgência dos temas abordados, pois simplesmente lançar uma frágil e genérica agenda de futuras negociações não assegura resultados concretos”, afirma o documento, assinado por mais de mil ambientalistas e representantes de organizações não-governamentais.

A carta diz ainda que a Rio+20 passará para a história como uma conferência das Nações Unidas que ofereceu à sociedade mundial um texto marcado por “graves omissões que comprometem a preservação e a capacidade de recuperação socioambiental do planeta, bem como a garantia, às atuais e futuras gerações, de direitos humanos adquiridos.”

O documento termina dizendo que a sociedade civil não ratifica o texto da Rio+20. “Por tudo isso, registramos nossa profunda decepção com os chefes de Estado, pois foi sob suas ordens e orientações que trabalharam os negociadores, e esclarecemos que a sociedade civil não compactua nem subscreve esse documento”, conclui a carta.

G1.com.br

Ideias Sustentáveis

Marcus Farah 

Existem várias maneiras de se alcançar a sustentabilidade. Além das mais conhecidas alternativas energéticas (energia solar, energia eólica, etc), da redução do desmatamento e preservação das espécies, existem outros meios de ajudar o planeta, construindo um ambiente mais sustentável.

Pode-se citar alguns exemplos:

Hotel oferece refeições de graça para quem estiver disposto a gerar eletricidade:

"O Crown Plaza Hotel, em Copenhague, Dinamarca, oferece uma chance para quem quer fazer uma boa refeição sem deixar de cuidar do planeta. O hotel disponibiliza bicicletas ligadas a um gerador de eletricidade para os hóspedes voluntários. Cada um deles deve produzir pelo menos 10 Watts/hora de eletricidade – aproximadamente 15 minutos de pedalada para um adulto saudável. Após o exercício, o hóspede recebe um generoso vale-refeição: 26 euros, aproximadamente 60 reais."

Bar capta energia produzida pela dança de seus frequentadores:

"Todas as luzes e os sons de uma “balada” gastam uma quantia considerável de eletricidade. Pensando nisso, o dono do Bar Surya, em Londres, refez o chão da pista de dança de seu estabelecimento e o revestiu com placas que, ao serem pressionadas pelos frequentadores do lugar, produzem corrente elétrica. Essa energia é então usada para ajudar na carga elétrica necessária à casa. Andrew Charalambous, o visionário dono do bar, diz que a eletricidade produzida pela pista modificada representa 60% da necessidade energética do lugar."

Empresa cria impressora que não usa tinta tem papel: 

"A Impressora PrePean é um impressora diferente das convencionais, utilizando uma peça térmica para fazer as impressões em folhas plásticas feitas especialmente para isso. Tais folhas são à proca d'água e podem ser facilmente apagadas. Ao colocá-las novamente na impressora, através de outra temperatura, a próxima impressão ficará no lugar na anterior. Com isso, uma dessas folhas pode ser utilizada diversas vezes."

Esses são apenas alguns exemplos de ideias que certas pessoas tiveram para poder ajudar o planeta de alguma forma. E inovações como essas podem auxiliar à gerar um futuro mais verde e sustentável, propiciando uma melhor qualidade de vida para a humanidade e todos os seres que habitam a Terra!

São ideias simples e que podem ser executadas. É bom lembrar que cada pessoa pode fazer a sua parte. Não é preciso ser um especialista para ajudar na luta contra o aquecimento global. Com pequenas atitudes é possível sim ajudar na busca de um futuro melhor.

Essas informações foram retiradas do site Hype Science. 
Para conhecer mais ideias sustentáveis entrem no endereço abaixo:

"As 10 ideias sustentáveis mais curiosas"

http://hypescience.com/as-10-ideias-sustentaveis-mais-curiosas/

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Declaração final do Xingu + 23


Publicado em 17 de junho de 2012 
Encerrou-se neste sábado, 16, o encontro Xingu + 23, realizado na comunidade de Santo Antônio, a 50 km de Altamira. Participaram cerca de 300 pessoas, entre ribeirinhos, agricultores, pescadores e indígenas dos povos Juruna, Xikrin, Kayapó e Xipaya da região, Munduruku das bacias dos rios Teles Pires e Tapajós e Tembé da região de Belém, além de ativistas autônomos de vários estados, integrantes da comunidade acadêmica e representantes de organizações de vários países, como Turquia, Israel, Áustria, Bélgica. Canadá e EUA.
Foram quatro dias de desabafos, debates e ação. Para os atingidos por Belo Monte, o encontro ofereceu alento por terem quem os ouvisse. Para os participantes de outras regiões, foram momentos duros ao serem confrontados com a realidade dos impactos da usina.
Na vila de Santo Antônio, praticamente deserta após as desapropriações compulsórias de seus moradores, sobraram ruínas e madeirames empilhados das antigas casas de seus moradores. Sobrou também o pequeno cemitério, com suas tumbas tomadas pelo mato após o embargo da Norte Energia.
Da vila de Santo Antonio podia se ver a enormidade do canteiro de obras de Belo Monte com o movimento incessante das máquinas; ouviam-se as sirenes que anunciavam os estrondos e as detonações que explodem terra e pedras; e sentia-se o seu tremor.
A cerca de 300 metros da comunidade, duas ensecadeiras barraram o Xingu, mudando sua cor para marrom estagnado. As matas que protegiam as margens do rio foram arrancadas, sobrando apenas uma grande área nua de terra revolvida.
Diante dos atos de violação brutal do rio, das matas e dos povos que vivem em suas barrancas, denunciados nas assembleias do encontro e em uma audiência pública realizada na Universidade Federal do Pará – à qual, apesar de convidada, a Norte Energia não compareceu –, no dia 15 moradores da cidade realizaram uma marcha de protesto em Altamira e os participantes do encontro libertaram um trecho do Xingu ao ocupar uma das ensecadeiras e abrir um escape para o rio.
O encontro se encerrou no dia 16 após uma marcha na Transamazônica.
O Xingu +23 reuniu um número expressivo de representantes das comunidades locais, indígenas e apoiadores. A libertação do rio foi, para todos, uma ação de enorme significância, e provou que tudo é possível. Belo Monte não é invencível, e a união de forças pode apagar esta mancha do mapa da Amazônia. Pode, acima de tudo, evitar os demais projetos desastrosos de hidrelétricas na região, uma tarefa urgente que não pode esperar.
Nós, os participantes e apoiadores do Xingu +23, conclamamos o país e todos os representantes dos países que estarão na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio + 20 – a olhar para a Amazônia e evitar o crime cometido no coração da região pelo governo brasileiro com a hidrelétrica de Belo Monte. E afirma que, após 23 anos de resistência contra o barramento do Xingu, não haverá esmorecimento nem trégua na luta pela vida do rio e pelos direitos de seus povos.
Vila de Santo Antônio, 16 de junho de 2012
Encontro Xingu +23

Xinguvivo.org.br

Vazamento de óleo interrompe pesca na Bahia


Um vazamento de óleo, que gerou uma mancha com ao menos quatro quilômetros de extensão, atingiu uma das mais tradicionais regiões pesqueiras na baía de Todos os Santos, próxima a Salvador.

O acidente ocorreu nas imediações do município de Madre de Deus (51 km de Salvador) no último sábado. O presidente da associação local de pesca, José Antônio Santos, disse que o desastre ambiental impede o trabalho de 1.422 pescadores.

O tamanho da mancha foi relatado pelos pescadores e confirmado pelo órgão estadual de ambiente da Bahia.

"Os mariscos que pescamos ninguém quer comprar. E os que cozinhamos ficam com gosto de óleo", conta Santos. Segundo ele, manguezais de municípios vizinhos também foram afetados.
O Inema (Instituto de Meio Ambiente e Recurso Hídrico) diz ainda não saber se sabe o vazamento foi provocado por algum problema na Refinaria Landulpho Alves, que pertence à Petrobras, ou se o combustível foi liberado por algum navio.

Em nota divulgada ontem (17), a Capitania dos Portos informou que amostras da água foram retiradas para análise e elaboração de um laudo técnico ambiental.

Uma equipe do Inema esteve no local com equipes da Petrobras para fazer a limpeza da área.
O secretário do Meio Ambiente de Madre de Deus, Antônio Souza, disse que sobrevoou o local com especialistas e afirmou que mancha tem entre quatro e seis quilômetros de extensão.

Segundo o secretário, 80% do óleo derramado já foi retirado.

O Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) disse ainda não ter um diagnóstico do problema.

A assessoria de imprensa da Petrobras informou que a estatal não provocou o vazamento, mas enviou uma equipe de limpeza para o local.

Folha.com.br

sábado, 16 de junho de 2012

Primeira usina de ondas da América Latina é cearense!

Imagem da Internet



















A usina de ondas do Porto do Pecém, que transforma os movimentos do oceano em energia, será lançada, oficialmente, durante o evento Rio +20, a ser realizado entre os dias 13 e 22 desse mês. Pioneiro na América Latina, o projeto, inicialmente, irá abastecer o próprio Porto. De autoria do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) - vinculado à UFRJ - e financiado pela Tractebel, contando, ainda, com o apoio do governo do Estado do Ceará, o empreendimento instala, no Brasil, experiências conhecidas em outros países, como Portugal, Holanda, Japão e Reino Unido.

Como funciona
O funcionamento ocorre em função de grandes "braços mecânicos" que foram instalados no píer do Porto do Pecém. Na ponta desses mecanismos, em contato com a água do mar, há uma boia circular.


À medida que as ondas vão batendo, a estrutura faz movimentos de subida e descida, o que aciona bombas hidráulicas, que fazem com que a água doce contida em um circuito fechado, no qual não há troca de líquido com o ambiente, circule em um local de alta pressão. Essa água que sofre grande pressão vai para um acumulador, que tem água e ar comprimidos em uma câmara hiperbárica, que é o pulmão do dispositivo.

O Ceará foi escolhido para abrigar o mecanismo principalmente pela constância dos ventos alísios. O movimento desse ar gera ondas regulares no mar cearense. Elas não atingem níveis elevados, como no Havaí, por exemplo, mas são constantes, fator que aumenta a eficiência da usina.

Potencial
O País tem grande potencial para aproveitar as forças do mar e convertê-las em energia elétrica. O litoral brasileiro, de cerca de 8 mil quilômetros de extensão, é capaz de receber usinas de ondas que produziriam algo em torno de 87 gigawatts. Desse total, 20% seriam convertidos em energia elétrica, o que equivaleria a 17% da capacidade total instalada no País. Os impactos ambientais desse tipo de fonte energética são considerados baixos. As vantagens são o fato de uma usina de ondas contar com uma fonte abundante, limpa e renovável de recursos.


Fonte: Diário do Nordeste