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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

'Vi minha filha ir embora com a enxurrada', diz sobrevivente

Mulher se agarrou a galhos de árvores para não ser levada pela lama.
Ela perdeu o marido, os pais e dois filhos em desabamento de casa.


Gerda Habers Karl e filho sobrevivente viram casa desmoronar (Foto: Luciana Rossetto/G1)

Uma mulher de 53 anos e seu filho de 22 foram os únicos sobreviventes de uma família que há um século vivia na comunidade Alto do Baú, na Serra do Baú, em Ilhota (SC). A casa em que Gerda Habers Karl vivia desmoronou completamente junto com o morro onde estava situada, na noite de domingo (23).


Entre os desaparecidos estão o marido, de 62 anos, os pais dela, com 80 anos, o filho, de 27 anos, e a filha grávida, de 17 anos. O genro, marido da adolescente, sobreviveu porque havia viajado para Joinville (SC) no sábado (22) para tocar em uma festa. Ele não presenciou a tragédia.

“De repente, a casa desceu. Tudo ficou escuro, mas cheguei a segurar a mão da minha filha. Ela gritou mãe ‘me tira daqui’, mas não consegui. Eu vi minha filha ir embora com a água da enxurrada”, afirma Gerda. Ela conta que se agarrou a galhos de árvores para não ser levada também pela lama. Depois do deslizamento, ela estava soterrada até a cintura e lutou muito para conseguir sair dos escombros.

“Foi tudo tão de repente. Não teve um sinal sequer antes. Ainda não acredito no que aconteceu. Eu estava com eles em casa à noite, fui no quarto do meu filho e então escutei o estrondo da casa toda sendo levada. Só sobrou barro e destroços com minha família e meus animais misturados na lama”, diz.


Gerda e o filho sobrevivente foram acolhidos por um vizinho, enquanto esperam ser resgatados do local pelas equipes da Força Aérea Brasileira (FAB). “Minhas roupas e até meu chinelo foram doações da minha vizinha. Estou toda machucada, mas a dor da minha perda é tão grande que não tenho conseguido pensar em nada nesse momento”. Gerda conta que vai continuar sendo amparada pelos amigos.

“Vamos ficar na casa de conhecidos, em Blumenau, enquanto pensamos no que vamos fazer. Quero antes de tudo ver meu genro que é muito amado por mim e deve estar passando pelo mesmo sofrimento. Depois vou tentar retomar a vida”, diz.

Fonte: G1.com.br

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